Poesia


Linha condutora

trilhando
teias
tendas
redes em rendas
Quem conta um conto
amplia um ponto
Quem tece um ponto
encontra uma nova possibilidade
Quem costura o possível
compartilha fio a fio
A vida.

Ela gostava de simplicidade
Amava o comum
Deliciava-se com o amor
o amor para ela era como o café
bem forte
bem quente
bem puro
e bem doce!

Aprendi que
escrever abre as linhas de raciocínio,
cantar espanta o mal,
reconhecer onde dói, faz buscar a cura
dançar dá movimento
falar aproxima
andar descalço conecta
um bom porre, de um bom vinho, dá sabor à vida,
rir de si mesmo, nos enche de coragem e aceitação,
chorar, alivia e acalma a alma.

esse eu que sou
que não entendendo
me convence as vezes
entendimento é por vezes
falta de pensamento!
a esse eu imploro:
me cura da doença de pensar

Amigos são como guarda-chuva
nos acolhem
nos protegem
e caminham com a gente nas tempestades da vida

O silêncio tem muitas moradas.
Quando é outono em nós,
fica ali, bem exatamente,
naquele lugar
onde tudo se dissolve.

Há nesta casa um oceano
de profundos e sonoros segredos
que dizem sim e lêem a vida.
Quando a maré no seu vai e vem
Vai desfolhando onda por onda
Vem esvaziando-se e enchendo
de sal, de sul, de só silêncios.

Seu endereço é entre
Entre nós
É lá, exatamente lá
Que todo ruído em mim
Espantosamente se aquieta.