O silêncio tem muitas moradas.
Quando é outono em nós,
fica ali, bem exatamente,
naquele lugar
onde tudo se dissolve.

Há nesta casa um oceano
de profundos e sonoros segredos
que dizem sim e lêem a vida.
Quando a maré no seu vai e vem
Vai desfolhando onda por onda
Vem esvaziando-se e enchendo
de sal, de sul, de só silêncios.

Seu endereço é entre
Entre nós
É lá, exatamente lá
Que todo ruído em mim
Espantosamente se aquieta.